Mood totalmente truely deeply emotional
Dando continuidade ao Circuito das Frutas, fomos hoje à cidade de Limeira visitar minha tia, irmã da minha mãe:

Hoje ela tem 70 e não sei quantos anos e está muito parecida com a minha falecida vó que eu amava tanto. Sofreu um pequeno derrame semana passada e esteve hospitalizada, por isso fomos (minha mãe, minha tia Baronesa e eu) até lá. Ela até que está bem, coitada, e já não tem muita saúde há alguns anos porque teve uma doença contagiosa degenerativa muito horrível que a vergonha (patriótica) me impede de dizer o nome, uma doença do tempo de JC que já deveria estar erradicada mas não está, doença que ela pegou da empregada ao usar a mesma luva de lavar louça, e morreu de vergonha e por muito tempo ocultou o fato, dizia que era uma alergia, um problema de pele apenas. A empregada também não contava a ninguém que tinha a doença, provavelmente para não perder o emprego, por não saber de que doença se tratava ou talvez por vergonha mesmo, já que não deve ser nada fácil sair por aí dizendo "tenho a doença tal", porque há o preconceito etc e etc, e graças ao fato de todos terem vergonha e não contarem, outras pessoas acabam sendo contaminadas, é a vida. Ok, vou dizer o nome, por favor tentem não se horrorizar e compreendam que pode acontecer com qualquer um: hanseníase (lepra).
Ela perdeu parte de um dedo da mão há muito tempo, os pés estão atrofiados mas ela ainda consegue andar, usando sapato especial, e aparentemente a doença em si, aquela, está controlada (acho que não há cura). Leva uma vida "normal", apenas com algumas limitações.
E eu gosto muito dela, tenho várias lembranças de infância de vestidos que ela fez pra mim, porque ela costurava muito bem, e às vezes nas férias eu ficava lá na casa dela, no interiorrr, e mais recentemente eles vinham sempre pra cá (Valinhos) porque é bem perto, 60 km apenas, e o marido dela era um cara de quem quase ninguém gostava, mas eu tenho muita saudade dele porque era um dos poucos da família com quem eu conseguia conversar sobre assuntos não familiares, porque ele era um erudito, um cara que se interessava por livros, por música, por arte em geral - e não apenas por fofocas, dinheiro e cretinices como a maioria dos seres humanos. Tínhamos em comum o gosto por Frank Sinatra, por Ella Fitzgerald, por Cole Porter e por Machado de Assis e Thomas Mann. Caraca, agora que escrevi isso fiquei com mais saudade ainda. Fiquei com saudade até do tempo em que eu tinha saco pra conversar sobre essas coisas.
Então. Ficamos lá a tarde toda e vieram os filhos dela, duas netas e um neto, o marido da minha prima (essa nenê da foto acima) e mais não sei quem, e vimos fomos antigas (e me pediram para escanear algumas, já que sou a nerd oficial da família) e ai como é triste ver fotos antigas, ver meus avós que já morreram há muito, outras pessoas que já se foram (inclusive meu pai), pessoas que mudaram de aparência completamente (os estragos que o tempo faz), e ao mesmo tempo é tão legal ver o registro de momentos felizes, porque raramente os momentos infelizes são fotografados (ainda bem) e também rolou muita conversa sobre a origem da família, o brasão e o sangue azul da família von Something hahahhaha, e eu nem sabia que no século XIX meu tataravô ou algo assim faturou alto construindo a ferrovia em São João da Boa Vista (ele era um engenheiro alemão importado especialmente para a obra) com madeira de sua própria fazenda.
Na casa dela tem um móvel que era o "aparelho de som dois em um" dos anos 40, muito lindo. Um rádio ao lado de uma vitrola e embaixo fica o alto-falante (um só, obviamente), enorme, com aquela telinha. Só toca discos em 78 rpm, e ela ainda tem alguns. Pena que não estava com a minha câmera (que, aliás, está semi-bichada, por isso nem levei).
Ai, ai, quantas memórias, meudeusdocéu, e olha isso, então:

De acordo com a opinião geral, meu irmão foi o nenê mais lindo da família. Bom, isso foi no passado. Hoje, o nenê mais lindo da família é o meu sobrinhico, mas também é bom que se diga que nem sempre os nenês mais lindos se tornam os adultos mais lindos, e eu não estou rogando praga em ninguém, obviamente, só estou dizendo que eu posso ter sido um nenê apenas bonitinho, mas, em compensação, passados trocentos anos eu continuo linda (e gostosa pra caray hahahhaha), e há pessoas por aí que não citarei nomes que estão um trapo hahahhahaa.
Meu primo, por exemplo. Coitado, ele mesmo disse "acho que sou a pessoa que mais mudou com o tempo". Ele era bonito e hoje é careca, gordo, urso. Dizem que meu outro primo, o advogado, que é absolutamente lindo, é parecido com ele. Meu tio (outro) uma vez viu uma foto e disse "caralho, se meu filho é parecido com ele será que vai virar isso aí um dia?". Ah, Deus, por favor seja misericordioso, não leve embora os lindos cabelos do meu primo e não o deixe engordar que nem um porco, oh, por favor! Nossa, fiquei até religiosa agora hahahhahaa.
Ah. Poderia escrever mais uns duzentos posts só sobre o dia de hoje graças às fortes emoções, mas chega.
E as paisagens e os ares e etc, e o calor, o calor, gente que calor é esse, pensei que ia morrer lá de tanto calor, é perto daqui mas o clima é totalmente diferente.
Ao sair de lá, minha tia apertou minha mão com força e disse "que bom que você veio. Fiquei muito feliz". E eu tive vontade de chorar de pena e medo de que fosse a última vez que eu a vejo na vida, mas também não há nada que se possa fazer. Só preciso me lembrar de ir visitar também minha outra tia, aquela que reza pra mim, antes que seja tarde demais.

dizem que ela era a mais linda das irmãs, e olha que a concorrência era grande: eram 8 irmãs.
Hoje ela tem 70 e não sei quantos anos e está muito parecida com a minha falecida vó que eu amava tanto. Sofreu um pequeno derrame semana passada e esteve hospitalizada, por isso fomos (minha mãe, minha tia Baronesa e eu) até lá. Ela até que está bem, coitada, e já não tem muita saúde há alguns anos porque teve uma doença contagiosa degenerativa muito horrível que a vergonha (patriótica) me impede de dizer o nome, uma doença do tempo de JC que já deveria estar erradicada mas não está, doença que ela pegou da empregada ao usar a mesma luva de lavar louça, e morreu de vergonha e por muito tempo ocultou o fato, dizia que era uma alergia, um problema de pele apenas. A empregada também não contava a ninguém que tinha a doença, provavelmente para não perder o emprego, por não saber de que doença se tratava ou talvez por vergonha mesmo, já que não deve ser nada fácil sair por aí dizendo "tenho a doença tal", porque há o preconceito etc e etc, e graças ao fato de todos terem vergonha e não contarem, outras pessoas acabam sendo contaminadas, é a vida. Ok, vou dizer o nome, por favor tentem não se horrorizar e compreendam que pode acontecer com qualquer um: hanseníase (lepra).
Ela perdeu parte de um dedo da mão há muito tempo, os pés estão atrofiados mas ela ainda consegue andar, usando sapato especial, e aparentemente a doença em si, aquela, está controlada (acho que não há cura). Leva uma vida "normal", apenas com algumas limitações.
E eu gosto muito dela, tenho várias lembranças de infância de vestidos que ela fez pra mim, porque ela costurava muito bem, e às vezes nas férias eu ficava lá na casa dela, no interiorrr, e mais recentemente eles vinham sempre pra cá (Valinhos) porque é bem perto, 60 km apenas, e o marido dela era um cara de quem quase ninguém gostava, mas eu tenho muita saudade dele porque era um dos poucos da família com quem eu conseguia conversar sobre assuntos não familiares, porque ele era um erudito, um cara que se interessava por livros, por música, por arte em geral - e não apenas por fofocas, dinheiro e cretinices como a maioria dos seres humanos. Tínhamos em comum o gosto por Frank Sinatra, por Ella Fitzgerald, por Cole Porter e por Machado de Assis e Thomas Mann. Caraca, agora que escrevi isso fiquei com mais saudade ainda. Fiquei com saudade até do tempo em que eu tinha saco pra conversar sobre essas coisas.
Então. Ficamos lá a tarde toda e vieram os filhos dela, duas netas e um neto, o marido da minha prima (essa nenê da foto acima) e mais não sei quem, e vimos fomos antigas (e me pediram para escanear algumas, já que sou a nerd oficial da família) e ai como é triste ver fotos antigas, ver meus avós que já morreram há muito, outras pessoas que já se foram (inclusive meu pai), pessoas que mudaram de aparência completamente (os estragos que o tempo faz), e ao mesmo tempo é tão legal ver o registro de momentos felizes, porque raramente os momentos infelizes são fotografados (ainda bem) e também rolou muita conversa sobre a origem da família, o brasão e o sangue azul da família von Something hahahhaha, e eu nem sabia que no século XIX meu tataravô ou algo assim faturou alto construindo a ferrovia em São João da Boa Vista (ele era um engenheiro alemão importado especialmente para a obra) com madeira de sua própria fazenda.
Na casa dela tem um móvel que era o "aparelho de som dois em um" dos anos 40, muito lindo. Um rádio ao lado de uma vitrola e embaixo fica o alto-falante (um só, obviamente), enorme, com aquela telinha. Só toca discos em 78 rpm, e ela ainda tem alguns. Pena que não estava com a minha câmera (que, aliás, está semi-bichada, por isso nem levei).
Ai, ai, quantas memórias, meudeusdocéu, e olha isso, então:

da esquerda para a direita: minha tia casada com o japa (aquela que também estava aqui no Ano Novo), minha prima (a nenê da foto anterior, muito linda e bonita ainda hoje, aos 53 anos), minha prima mãe do Bisteca, a irmã dela, minha tia Baronesa e adivinhem quem é essa coisa gorda fofa e linda no colo da minha prima irmã da mãe do Bisteca. Sim, esta que vos bloga.
Muito hilário o cabelo das minhas tias - desfiado, com um litro de laquê e aplique - e a calça Capri está super fashion, pode ser vista por aí facilmente hoje em dia.
Muito hilário o cabelo das minhas tias - desfiado, com um litro de laquê e aplique - e a calça Capri está super fashion, pode ser vista por aí facilmente hoje em dia.
De acordo com a opinião geral, meu irmão foi o nenê mais lindo da família. Bom, isso foi no passado. Hoje, o nenê mais lindo da família é o meu sobrinhico, mas também é bom que se diga que nem sempre os nenês mais lindos se tornam os adultos mais lindos, e eu não estou rogando praga em ninguém, obviamente, só estou dizendo que eu posso ter sido um nenê apenas bonitinho, mas, em compensação, passados trocentos anos eu continuo linda (e gostosa pra caray hahahhaha), e há pessoas por aí que não citarei nomes que estão um trapo hahahhahaa.
Meu primo, por exemplo. Coitado, ele mesmo disse "acho que sou a pessoa que mais mudou com o tempo". Ele era bonito e hoje é careca, gordo, urso. Dizem que meu outro primo, o advogado, que é absolutamente lindo, é parecido com ele. Meu tio (outro) uma vez viu uma foto e disse "caralho, se meu filho é parecido com ele será que vai virar isso aí um dia?". Ah, Deus, por favor seja misericordioso, não leve embora os lindos cabelos do meu primo e não o deixe engordar que nem um porco, oh, por favor! Nossa, fiquei até religiosa agora hahahhahaa.
Ah. Poderia escrever mais uns duzentos posts só sobre o dia de hoje graças às fortes emoções, mas chega.
E as paisagens e os ares e etc, e o calor, o calor, gente que calor é esse, pensei que ia morrer lá de tanto calor, é perto daqui mas o clima é totalmente diferente.
Ao sair de lá, minha tia apertou minha mão com força e disse "que bom que você veio. Fiquei muito feliz". E eu tive vontade de chorar de pena e medo de que fosse a última vez que eu a vejo na vida, mas também não há nada que se possa fazer. Só preciso me lembrar de ir visitar também minha outra tia, aquela que reza pra mim, antes que seja tarde demais.

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